Porque Verifico o Site dos Trilhos PR Antes de Cada Caminhada Aqui
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Porque Verifico o Site dos Trilhos PR Antes de Cada Caminhada Aqui

O trilho que não terminei

Há três verões, conduzi até à costa este com um mapa, botas decentes e o tipo de confiança que vem de ver uma marca pintada num poste. Tinha lido que um trilho PR costeiro ligava dois miradouros, via o poste, e presumi que era essa a história toda. Não era. Vinte minutos depois, o caminho parava numa barreira de pedra solta e um sinal desbotado que não tinha visto no início, apoiado de lado onde o vento o tinha derrubado. Um troço mais adiante tinha deslizado para o mar no inverno anterior e nunca fora reconstruído. Voltei para trás, ligeiramente irritado, e só mais tarde percebi que a irritação estava mal dirigida — o trilho não estava avariado, a minha suposição é que estava errada.

É esse o hábito que esta ilha me ensinou: uma marcação diz-lhe que existe um percurso, nunca que está atualmente aberto.

O que os números PR são de facto

Todo o trilho oficial de caminhada em São Miguel tem um código PR — pequena rota, o sistema regional de trilhos curtos dos Açores. Vê-se os postes em percursos que vão desde a orla da caldeira de Sete Cidades até ao caminho da cascata em Ribeira dos Caldeirões, passando pelo caminho costeiro junto à Praia de Santa Bárbara.

A numeração é útil precisamente por ser específica: é a referência que se usa para consultar um trilho, e não uma descrição vaga do “caminho costeiro perto do lado norte”. Hoje trato o código como trataria um número de voo — a coisa que escrevo numa caixa de pesquisa antes de confiar no horário.

O site regional dos trilhos lista o estado por número de PR, e consultá-lo tornou-se tão automático como verificar a meteorologia. Demora menos tempo do que aquele que levei a escrever esta frase, e teria poupado aquela tarde na costa.

Porque é que os trilhos desta ilha fecham assim

São Miguel é jovem, vulcânica e ainda em assentamento. Isso é verdade em todo o arquipélago, mas nota-se mais a pé do que a partir de um carro. As encostas acima de muitos caminhos costeiros — sobretudo na zona do Nordeste e em torno de Faial da Terra — são íngremes, encharcadas pela chuva a maior parte do ano, e formadas por camadas de cinza e pedra solta em vez de granito sólido. Depois de um período de mau tempo, há troços que cedem. Normalmente não de forma dramática, e muitas vezes sem ninguém por perto para o ver acontecer — um trecho de caminho simplesmente já não está lá quando o próximo caminhante chega.

Isto não é um facto geológico abstrato que tirei de um folheto. É a mesma instabilidade que soterrou uma vila inteira. Vila Franca do Campo foi a capital da ilha até 1522, ano em que um deslizamento de terras desencadeado por um sismo desceu e soterrou grande parte da vila, obrigando a sede do governo a mudar-se para Ponta Delgada, onde permanece desde então. Isso não é um caminho costeiro a fechar por uma época — é o mesmo terreno, à escala de uma vila. Quando hoje paro num miradouro perto de Vila Franca do Campo, essa história faz parte da razão por que não me encosto ao gradeamento.

Os trilhos com que sou mais cauteloso

Os trilhos PR costeiros fecham com mais frequência do que os do interior, pela minha experiência, porque o mar solapa a base da encosta ao mesmo tempo que a chuva a satura por cima. A costa do Nordeste é a zona que verifico com mais cuidado — o percurso da cascata até ao Salto do Prego começa numa aldeia, Faial da Terra, que fica mesmo na base desse tipo de terreno. O trilho da floresta de louro pela Serra da Tronqueira, onde sobrevive o priolo, é de interior e tem outro carácter, mas mesmo assim verifico-o, porque “de interior” não significa “plano” aqui.

Nada disto se aplica à Lagoa do Fogo exatamente da mesma forma — os encerramentos são normalmente por nevoeiro e vento e não por deslizamento — mas as encostas da cratera são feitas do mesmo material vulcânico jovem, por isso também a verifico, pelo mesmo hábito e não por um medo diferente.

O equívoco que tive de desaprender

O erro que cometi naquele primeiro verão não foi preguiça, foi uma falsa equivalência: presumi que um trilho marcado era um trilho mantido, e que um trilho mantido era seguro, o ano todo, só porque alguém tinha em tempos pintado um poste. Nesta ilha, nenhum desses passos decorre automaticamente do anterior. Um número PR significa que um percurso foi concebido e em tempos foi aberto. Nada diz sobre este mês. A única forma de saber a resposta deste mês é verificar o estado deste mês, que a entidade regional dos trilhos publica precisamente porque as condições mudam mais depressa do que a tinta desbota.

A mesma lógica aplica-se às arribas, mesmo em trilhos confirmados como abertos. Vários dos melhores miradouros desta ilha situam-se acima de quedas sem vedação, sobre rocha que é, mais uma vez, o mesmo material jovem e por vezes instável. Um trilho aberto não é a mesma afirmação que uma borda sólida. Mantenho uma distância de segurança independentemente do que a página de estado disser, porque essa página fala do caminho, não dos dois metros de rocha na sua extremidade.

O que faço agora, na prática

Antes de qualquer caminhada aqui, consulto o número PR no site regional dos trilhos na véspera, verifico se o troço que quero está assinalado como encerrado, e tenho um segundo percurso pronto caso esteja. Se um trilho que queria acaba por estar fechado, não tento contornar a barreira — aprendi que um sinal de encerramento aqui costuma significar um troço genuinamente em falta, não excesso de zelo burocrático.

Nos dias em que a previsão meteorológica ou a lista de encerramentos afasta a caminhada que tinha planeado, já optei por um percurso privado de jipe pelo terreno, que chega a paisagens semelhantes por caminhos ativamente mantidos para uso de veículos. Um circuito guiado de jipe pela ilha inteira cobre grande parte da mesma costa e das mesmas crateras sem me pedir que avalie sozinho as condições do trilho, e do lado oeste um passeio guiado pela zona de Sete Cidades já me mostrou miradouros que hesitaria em alcançar sozinho depois de chuva.

Nada disto pretende fazer a ilha soar traiçoeira — na maioria dos dias, na maioria dos trilhos, caminhar aqui é exatamente tão agradável quanto as fotografias sugerem. É simplesmente que “bem sinalizado” e “atualmente seguro” são duas afirmações diferentes, e depois daquela tarde na costa, deixei de deixar uma substituir a outra.

Verificar o estado e os encerramentos em São Miguel

O que significa PR num sinal de trilho em São Miguel?

PR significa pequena rota, o sistema regional de numeração de trilhos curtos usado em todos os Açores. Um código como PR1 SMI identifica um trilho sinalizado específico em São Miguel e é a referência a usar para verificar o estado de um trilho online, não uma garantia de que o percurso está atualmente transitável.

Porque é que os trilhos costeiros fecham em São Miguel?

A costa da ilha é formada por rocha vulcânica jovem e encostas íngremes e húmidas, e há troços que cedem depois de chuva forte. Os trilhos PR costeiros, sobretudo na zona do Nordeste, fecham por deslizamentos com mais frequência do que os percursos de interior, por vezes durante meses seguidos.

Onde posso verificar se um trilho está aberto antes de ir?

A entidade regional responsável pelos trilhos publica online o estado de cada trilho, e vale a pena uma verificação de cinco minutos na véspera de qualquer caminhada. Os alojamentos e os operadores turísticos locais também costumam saber quais os troços atualmente encerrados.

Uma marcação no terreno significa que o trilho é seguro?

Não. A sinalização mostra que um percurso foi construído e em tempos foi mantido, não que esteja aberto, estável ou seguro hoje. Um poste pintado num cruzamento pode ser anterior a um deslizamento em vários anos.

O trilho da Lagoa do Fogo é afetado pelos mesmos encerramentos?

A estrada e os caminhos em torno da Lagoa do Fogo fecham mais vezes por nevoeiro e vento do que por deslizamentos, mas as encostas da cratera são igualmente vulcânicas e igualmente capazes de se mover, por isso aplica-se o mesmo hábito de verificar antes de partir.

Qual é a ligação entre os encerramentos de trilhos e Vila Franca do Campo?

Vila Franca do Campo foi a capital da ilha até 1522, ano em que um deslizamento de terras desencadeado por um sismo soterrou grande parte da vila e obrigou a sede do poder a mudar-se para Ponta Delgada. É a prova histórica mais clara de que o solo desta ilha se move, e é exatamente por isso que os trilhos costeiros de hoje fecham da mesma forma.

As arribas são perigosas mesmo num trilho mantido?

Sim. Vários dos melhores miradouros e caminhos costeiros da ilha percorrem arribas sem vedação, e a rocha sob os pés é o mesmo material vulcânico jovem que cede noutros pontos. Trate qualquer borda como instável, independentemente de o caminho parecer bem estabelecido.

O que devo fazer se o trilho planeado estiver encerrado?

Escolha uma alternativa confirmada como aberta, ou troque o dia por um percurso guiado em que outra pessoa carrega o conhecimento local, como um passeio guiado de um dia pela caldeira das Furnas que chega a terreno impressionante por estradas mantidas em vez de um trilho pedestre.

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