Caminhada pela Crista da Caldeira das Sete Cidades
O que é a caminhada pela crista da caldeira das Sete Cidades?
É um trilho PR sinalizado que acompanha o rebordo da cratera acima da vila de Sete Cidades, oferecendo vistas em altura sobre a Lagoa Azul e a Lagoa Verde, que estão unidas. Certos troços podem ser feitos como ida e volta a partir de um miradouro ou encadeados numa volta mais longa, e a cratera está muitas vezes parcialmente coberta de nuvens, pelo que uma vista limpa nunca está garantida.
A caminhada pela crista da caldeira
Sete Cidades é uma caldeira vulcânica no oeste de São Miguel, e a forma mais gratificante de a conhecer não é a partir de um miradouro com parque de estacionamento, mas sim pelo trilho de crista que acompanha o rebordo da cratera acima da vila e das suas duas lagoas. Esta página é um guia desse percurso: por onde passa, quanto tempo levam os diferentes troços, o que significam as marcações do trilho e as duas coisas que quase todos os visitantes percebem mal antes de partir — que as “lagoas gémeas” são, na verdade, uma só lagoa ligada, e que a cratera cria o seu próprio tempo.
Esta página cobre apenas o trilho de crista em si. Não aborda o percurso de carro com paragens nos miradouros a partir da capital, tratado em separado no guia de meio-dia em Sete Cidades a partir de Ponta Delgada, nem explica como se formou a própria caldeira — para isso, consulte o guia do vulcão das Sete Cidades.
O percurso em linhas gerais
O trilho de crista acompanha o rebordo exterior da cratera, um anel descontínuo de cerca de 12 quilómetros se percorrido na totalidade, seguindo caminhos agrícolas, trilhos de pastoreio e curtos troços de estrada pavimentada entre os pontos altos. Não é um único trilho contínuo construído de propósito, mas antes uma linha costurada de caminhos locais que caminhantes e a rede regional de trilhos foram ligando num circuito de crista. A maioria das pessoas não percorre tudo de uma vez; escolhe um troço.
Os três troços mais usados pelos caminhantes:
- Vista do Rei até à crista ocidental. O troço mais conhecido, com início perto do famoso miradouro sobre a faixa de terra entre as duas lagoas, seguindo pela parede ocidental da cratera, com o terreno a cair abruptamente do lado da lagoa.
- Boca do Inferno até à Lagoa do Canário. Um trecho mais curto sobre a pequena cratera dentro da cratera, junto à Lagoa do Canário, a partir do miradouro da Boca do Inferno, com vistas tanto sobre a pequena lagoa como sobre a caldeira principal.
- Grota do Inferno e a crista meridional. Um trecho mais tranquilo e menos percorrido ao longo do rebordo sul, com menos gente e longos troços sem vista, que se abre de novo perto das povoações junto à cratera.
Nenhum destes troços liga diretamente ao seguinte sem alguma orientação em caminhos que nem sempre são obviamente o trilho, o que é a principal razão pela qual a maioria dos visitantes percorre apenas um troço, em vez de os encadear sem um guia local ou um mapa descarregado.
Distâncias e tempos
| Troço | Distância aproximada | Tempo de caminhada | Dificuldade |
|---|---|---|---|
| Vista do Rei até ao miradouro da crista ocidental | 4-6 km só na ida | 1,5-2,5 horas | Moderada, com alguns declives acentuados junto ao caminho |
| Boca do Inferno até à Lagoa do Canário | 2-3 km ida e volta | 1-1,5 horas | Fácil a moderada |
| Grota do Inferno / crista meridional | 6-8 km | 2,5-3,5 horas | Moderada, exposta ao vento |
| Circuito completo da crista da cratera | Cerca de 12 km | 6-8 horas | Exigente, dia inteiro, requer orientação no terreno |
Estes são apenas tempos de caminhada, sem paragens. Acrescente tempo à vontade para fotografias — a crista é um dos troços de trilho mais fotografados da ilha, sobretudo com as sebes de hortênsias em flor, tema tratado em separado no guia fotográfico das hortênsias e miradouros das Sete Cidades.
As duas lagoas, uma só lagoa
A partir da crista, o motivo de maior interesse na cratera é o par de lagoas ligadas por uma estreita faixa de terra, uma azulada e outra esverdeada. Vale a pena dizê-lo com clareza, porque surpreende quase todos os visitantes de primeira vez: a Lagoa Azul e a Lagoa Verde não são dois corpos de água separados. São uma única lagoa ligada, apertada ao meio, e a diferença de cor vem do ângulo da luz, da profundidade e do que se reflete na superfície de cada lado, não de qualquer diferença na própria água.
Percorra a crista numa manhã nublada e os dois lados podem parecer o mesmo cinzento uniforme; percorra-a ao meio-dia com sol pleno e a divisão torna-se vívida. O próprio trilho oferece a melhor perspetiva sobre isto, já que a faixa de terra que visivelmente une as duas “lagoas” é visível a partir de vários pontos do troço ocidental.
Marcações e quando o trilho não está aberto
Os trilhos pedestres de São Miguel são sinalizados pelo sistema PR (pequena rota) dos Açores — marcas pintadas, normalmente a amarelo e vermelho, em cruzamentos e portões ao longo do percurso. No circuito de crista, estas marcações não são contínuas como num trilho dedicado construído de propósito; há trechos que seguem por caminhos agrícolas e bordas de campo sem sinalização, pelo que os caminhantes devem levar um mapa descarregado ou um registo GPS offline, em vez de confiar apenas na sinalética, sobretudo na crista sul, mais tranquila.
A precaução mais importante prende-se com os fechos. Vários dos percursos costeiros e de crista de cratera de São Miguel fecham, por vezes durante meses, após deslizamentos de terras ou danos provocados por chuva forte — um problema real e recorrente na ilha, não um acontecimento raro, tratado em termos mais gerais no guia sobre as marcações e fechos dos trilhos PR. Um fecho nem sempre está claramente sinalizado no ponto onde se deveria voltar para trás; vale a pena verificar a informação regional sobre trilhos antes de sair de carro, sobretudo depois de um período de chuva, em vez de encontrar uma barreira a meio do percurso.
O que esperar no dia
Duas expectativas honestas moldam uma boa caminhada de crista aqui.
A cratera cria o seu próprio tempo. Sete Cidades situa-se dentro de uma bacia que retém nuvens, e é comum a crista estar envolta em névoa enquanto a costa a poucos quilómetros de distância está limpa e soalheira — ou o contrário. Esta é uma característica geral do tempo em São Miguel, explicada com mais detalhe no guia sobre como o tempo da ilha muda de hora a hora e no guia mais abrangente do tempo em São Miguel: as condições de um lado da ilha dizem muito pouco sobre o outro lado, e dentro de uma caldeira ainda menos.
Planeie a caminhada com um dia de reserva, se puder, e trate uma vista limpa da crista como um bónus, não como algo à volta do qual construir uma única visita. Nenhum guia ou motorista responsável pode prometer que verá as lagoas; quem o faz está apenas a adivinhar.
O terreno e o vento são fatores reais, não cenário. Os caminhos junto ao rebordo da cratera passam perto de declives acentuados em alguns pontos, a erva está muitas vezes molhada mesmo sem chuva, e a crista exposta apanha vento mais forte do que parece lá de baixo, na vila. Botas ou calçado de trilho com boa aderência importam mais aqui do que na maioria dos outros percursos da ilha. Uma lista de material adequada a este tipo de caminhada está no guia do que levar para São Miguel.
Como chegar aos pontos de partida
A maioria dos pontos de partida da crista situa-se junto à estrada que contorna o rebordo da cratera acima da vila de Sete Cidades, alcançável a partir de Ponta Delgada de carro alugado em cerca de 30-40 minutos. Os transportes públicos não servem bem os pontos de partida individuais, pelo que um carro, um táxi com recolha combinada previamente ou uma caminhada organizada é a forma prática de chegar aos pontos de início e fim, sobretudo em troços de sentido único. Para quem preferir não se orientar sozinho pelo percurso, vários operadores organizam caminhadas guiadas na crista.
uma caminhada guiada ao pôr do sol pela crista, terminando com vinho e queijo locais
é uma forma direta de percorrer um dos troços ocidentais com alguém que conhece o estado atual do trilho, ajustada à luz e não ao meio do dia.
Para uma introdução mais curta e fácil que combina caminhada com os restantes miradouros da cratera, uma caminhada guiada de meio-dia à volta das lagoas da cratera cobre um trecho mais suave com mais paragens. E se o próprio lago atrair mais do que a crista acima dele, um aluguer de prancha de stand-up paddle na Lagoa Azul coloca-o na água que o trilho de crista contempla lá de cima, uma outra forma de perceber como as “duas” lagoas se unem de facto.
Caminhada de crista ou miradouros da cratera — qual escolher
Nem toda a visita precisa do trilho de crista. Se o tempo for limitado a poucas horas e houver carro disponível, os miradouros acessíveis de carro na Vista do Rei e na Boca do Inferno oferecem vistas fortes sem qualquer caminhada, e essa versão mais curta de uma visita às Sete Cidades está coberta na íntegra no percurso de meio-dia a partir de Ponta Delgada. A caminhada de crista compensa o tempo extra quando se quer estar no rebordo da cratera em vez de o observar de um parque de estacionamento, quando as sebes de hortênsias estão em flor ao longo do caminho, ou quando um dia limpo torna a caminhada compensadora por si só.
Para comparação com outros trilhos da ilha — a lagoa de cratera da Lagoa do Fogo, os percursos costeiros a norte e a este — veja os melhores trilhos de São Miguel comparados. A crista das Sete Cidades é, em geral, mais fácil de percorrer e melhor sinalizada perto dos principais miradouros do que a Lagoa do Fogo, que não tem quaisquer infraestruturas e um acesso mais difícil.
Notas práticas
- Água e infraestruturas. Não há serviços na própria crista; abasteça-se na vila de Sete Cidades ou antes de sair de Ponta Delgada.
- O sinal de telemóvel falha em trechos da crista sul e ocidental — descarregue um mapa offline antes de começar.
- Época. O percurso é percorrível todo o ano; de junho a setembro há as condições mais secas debaixo dos pés e maior probabilidade de vista limpa, enquanto de novembro a março traz lama, vento e maior probabilidade de nuvens presas na cratera o dia todo.
- Fotografia. A luz da manhã tende a captar melhor as cores da lagoa, antes de as nuvens da tarde terem mais probabilidade de se formar sobre a cratera.
Perguntas frequentes: caminhar na crista da caldeira das Sete Cidades
A caminhada pela crista das Sete Cidades é uma volta completa?
A crista pode ser percorrida como um circuito completo do rebordo da cratera ou, mais habitualmente, como um troço de ida e volta ou de ponto a ponto entre dois miradouros. A maioria dos visitantes caminha um trecho de algumas horas, e não o anel inteiro, que ocupa quase um dia.
Quanto tempo demora a caminhada pela crista da caldeira?
Um trecho curto entre miradouros demora 1,5 a 2,5 horas. Os troços mais longos ao longo da crista ocidental e meridional levam 4 a 6 horas. Percorrer o anel completo à volta da cratera é um dia de 6 a 8 horas para um caminhante em boa forma e com bom tempo.
A Lagoa Azul e a Lagoa Verde são mesmo dois lagos diferentes?
Não. São um único corpo de água ligado, apertado por uma faixa de terra estreita. As cores azul e verde resultam do ângulo da luz e da profundidade da água de cada lado, e não de dois lagos separados, pelo que o tom que se vê muda ao longo do dia e consoante o tempo.
Que marcações de trilho devo seguir?
A rede de percursos pedestres de São Miguel usa o sistema de sinalização PR (pequena rota) dos Açores: marcas pintadas a amarelo e vermelho em cruzamentos e ao longo do percurso. Verifique localmente a numeração atual e qualquer desvio sinalizado antes de partir, já que os troços são por vezes reencaminhados.
O trilho da crista da caldeira pode estar fechado?
Sim. Os percursos costeiros e de crista de cratera em São Miguel fecham, após deslizamentos de terras ou chuva forte, com mais frequência do que os visitantes esperam, e um troço fechado nem sempre está sinalizado à entrada do trilho. Vale a pena confirmar a informação regional sobre trilhos antes de sair de carro, sobretudo depois de um período de chuva.
A vista a partir da crista está garantida como limpa?
Não. A caldeira das Sete Cidades gera o seu próprio nevoeiro e está frequentemente envolta em névoa, por vezes durante quase todo o dia mesmo quando a costa próxima está soalheira. Trate uma vista limpa da crista como um bónus, não como uma certeza reservada.
Preciso de um guia ou posso percorrer a crista sozinho?
Os principais troços de miradouro são percorríveis de forma independente por qualquer pessoa com boa forma física normal, calçado firme e um mapa em papel ou offline, já que o sinal de telemóvel falha em alguns pontos da crista. Uma caminhada guiada acrescenta conhecimento local do estado atual do trilho e compensa para o circuito mais longo ou numa primeira visita com mau tempo.
O que devo levar para a caminhada?
Camadas impermeáveis independentemente da previsão, botas ou calçado de trilho com boa aderência para erva molhada e lama, água e um chapéu para quando as nuvens se dissipam e o sol aparece. O vento na crista exposta é muitas vezes mais forte do que parece a partir da vila lá em baixo.
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