Nordeste: a ponta selvagem a leste de São Miguel
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Nordeste: a ponta selvagem a leste de São Miguel

Nordeste é a ponta selvagem a leste de São Miguel: miradouros sobre falésias, o farol do Arnel, trilhos de cascatas e o Pico da Vara.

Factos rápidos

De Ponta Delgada
Cerca de 45-50 km, aproximadamente 1 hora de carro pela EN1-1A
Tempo sugerido
Meio dia para os miradouros, um dia inteiro com um passeio a uma cascata
Orçamento diário
€40-90 por pessoa (combustível, uma refeição, pequenas entradas)
Melhor estação
De abril a outubro para vistas limpas; as cascatas correm o ano todo
Ideal para
Quem gosta de uma condução lenta e panorâmica, Fãs de cascatas e caminhadas curtas, Fotógrafos à procura de luz nas falésias, Caminhantes que seguem para o Pico da Vara ou o trilho da Tronqueira
Melhor altura para visitar
De abril a outubro para miradouros limpos e mais horas de luz; o parque de cascatas e o farol estão abertos o ano todo, embora o inverno traga mais nuvens e chuva
Dias necessários
Meio dia a um dia inteiro
Resposta rápida

O que é o Nordeste, e vale a pena a viagem?

O Nordeste é a ponta selvagem e montanhosa a leste de São Miguel, alinhada ao longo de uma estrada costeira panorâmica entre dois miradouros sobre falésias, um farol em funcionamento e um parque de cascatas. Compensa mais um dia inteiro do que um desvio rápido: a própria estrada, entre sebes e linhas de cumeada com o Atlântico de um lado, é grande parte do interesse.

O fim da ilha, e o início da natureza selvagem

Conduza para leste o suficiente em São Miguel e a ilha deixa de se comportar como um lugar com horário. As localidades rarefazem, as sebes fecham-se, o pasto dá lugar à floresta, e a estrada começa a seguir a forma do terreno em vez de o cortar. Isto é o Nordeste — não um único ponto de interesse, mas todo um quadrante da ilha, a ponta montanhosa e varrida pelo vento que se estende mais para dentro do Atlântico.

Não tem cova de cozido, nem piscina termal do tamanho de um pequeno lago, nem vila de cratera. O que tem é uma estrada costeira alinhada entre miradouros sobre falésias, um farol que ainda funciona, um parque de cascatas construído em torno de antigos moinhos de água e — erguendo-se atrás de tudo isto — o Pico da Vara, o ponto mais alto da ilha.

O Nordeste recompensa quem gosta da própria viagem, não só das paragens ao longo dela. A EN1-1A traz-nos de Povoação ou da Ribeira Grande, e a partir daí uma estrada mais estreita acompanha a costa, subindo e descendo por curtos troços de floresta de louro e criptoméria, junto a pequenas explorações leiteiras, com o mar a aparecer e desaparecer entre pontas. É uma das poucas partes da ilha onde se pode andar uma hora sem passar por uma localidade de qualquer dimensão. Esse vazio é tanto uma atração como qualquer paragem isolada.

Duas coisas merecem ser ditas claramente antes dos detalhes. Primeiro, esta é uma zona inteira da ilha por direito próprio, melhor tratada como um circuito de meio dia no mínimo, mais próximo de um dia inteiro se acrescentar um passeio a uma cascata ou uma caminhada curta. Segundo, vários dos nomes mais conhecidos do Nordeste — Faial da Terra e a sua cascata do Salto do Prego, a floresta da Serra da Tronqueira e o seu priolo — têm páginas próprias e dedicadas neste site, porque merecem mais do que um parágrafo. O que se segue é o retrato da região: o que há na estrada, o que vale a pena parar para ver, e o que deixar para outro dia.

Dois miradouros, uma estrada de cumeada: Ponta do Sossego e Ponta da Madrugada

Os dois nomes mais associados ao Nordeste são miradouros, e ficam no mesmo troço da estrada costeira, a poucos quilómetros de distância, por isso a maioria das pessoas vê ambos na mesma visita.

A Ponta do Sossego é a mais cuidada das duas: um pequeno jardim paisagístico de sebes de hortênsias e caminhos aparados, mesmo à beira da falésia, com bancos virados para o mar. “Sossego” é o nome certo, e num dia calmo condiz — o jardim dá ao miradouro um ambiente enquadrado e deliberado, mais próximo de um mirante formal do que de uma falésia selvagem.

A Ponta da Madrugada, um pouco mais adiante, é mais bruta. Fica mais alta e mais exposta, com uma vista mais longa e aberta sobre a costa lá em baixo, e é o local mais associado ao nascer do sol neste troço de costa — “madrugada” diz tudo. Está também mais exposta ao vento e às nuvens do que o Sossego, por isso os dois podem ter condições meteorológicas visivelmente diferentes a poucos minutos de carro um do outro.

Nenhum dos dois miradouros tem mais do que infraestruturas básicas — um parque de estacionamento, talvez um banco ou uma pequena barraca na época alta — por isso convém tratá-los como paragens numa viagem em vez de destinos com infraestrutura própria. Os fotógrafos, em particular, tendem a demorar-se em ambos, já que a luz muda depressa nesta costa e raramente parece igual duas vezes.

Farol do Arnel, o farol no fim da estrada

Depois dos miradouros, uma estrada secundária estreita desce em direção ao mar e ao Farol do Arnel, um farol em funcionamento empoleirado num promontório no ponto mais a leste da ilha. É um dos faróis mais antigos dos Açores, e ainda assinala a margem de São Miguel para os navios que passam ao largo. O edifício em si geralmente não está aberto a visitantes, mas o ponto onde se encontra é o atrativo: um promontório árido e varrido pelo vento, com as falésias da costa norte a estender-se numa direção e o Atlântico aberto em todas as outras.

A estrada de acesso ao farol é íngreme e estreita, com pouco espaço para manobrar, por isso não é um local para chegar com pressa ou num veículo grande. A maioria dos visitantes estaciona antes do último troço e percorre a pé a parte final. Não há café, loja ou instalações no farol em si — leve água se pretende passar algum tempo por lá, e conte com vento mesmo num dia calmo no interior.

Ribeira dos Caldeirões: um parque de cascatas, não uma única queda de água

No interior, ligeiramente a sul da estrada costeira principal, a Ribeira dos Caldeirões é um parque pequeno e bem cuidado, construído em torno de uma ribeira que desce por uma série de quedas junto aos vestígios em pedra de antigos moinhos de água. É fácil imaginá-lo como uma única cascata fotogénica vista de um parque de estacionamento, mas é na verdade um pequeno circuito a pé — caminhos, pontes pedonais e ruínas de moinhos entre mais do que uma cascata, à sombra de fetos-arbóreos e loureiros.

Reserve 30 a 60 minutos em vez de uma paragem de cinco minutos. Os caminhos são fáceis e adequam-se à maioria dos níveis de condição física, o que faz deste um dos passeios curtos mais acessíveis deste lado da ilha, e uma paragem natural para famílias a fazer a viagem costeira. Há estacionamento à entrada e, na época alta, uma pequena barraca de lanches, mas nada além disso, por isso encaixa bem como pausa a meio de um dia no Nordeste, em vez de destino para construir toda uma viagem à volta dele.

Pico da Vara: o teto da ilha, e uma floresta que não se atravessa apenas de carro

Atrás das localidades costeiras do Nordeste, o terreno sobe até ao Pico da Vara, 1103 m, o ponto mais alto de São Miguel. Não é visível como um único cume óbvio a partir da maior parte da estrada costeira — faz parte de uma cumeada mais larga, a Serra da Tronqueira, coberta por floresta de louro nativa que sobrevive aqui num dos seus últimos redutos na ilha.

Duas coisas sobre esta floresta merecem ser ditas com clareza, porque é fácil enganar-se numa passagem rápida pelo Nordeste. Primeiro, chegar ao cume do Pico da Vara ou entrar verdadeiramente na Serra da Tronqueira é uma caminhada, não uma paragem de estrada — trilhos sinalizados sobem de pontos de partida perto da costa até dentro da reserva, e o cume está frequentemente envolto em nuvens, independentemente de a costa parecer limpa lá em baixo. Segundo, esta floresta é o único lugar do planeta onde o priolo, o dom-fafe-dos-açores, ainda vive.

É uma das aves mais raras da Europa, e não é algo que se avista de um carro em movimento na estrada costeira ou de um parque de estacionamento de um miradouro — vive no fundo da copa do loureiro e só é encontrado entrando a pé na floresta, normalmente num trilho guiado, com paciência e sem garantias. Se ver o priolo ou chegar ao cume é o objetivo, isso é uma saída separada da viagem costeira do Nordeste, que vale a pena planear como um dia próprio. Todos os detalhes sobre ambos estão nas respetivas páginas: a Serra da Tronqueira e o guia dedicado ao trilho do priolo.

A vila do Nordeste e as localidades ao longo do caminho

A própria vila do Nordeste é pequena e tranquila, do tipo de lugar com um largo de igreja, um punhado de cafés e pouco trânsito de passagem além das pessoas a fazer o circuito costeiro. É uma paragem sensata para almoçar ou uma base se pretende passar uma noite deste lado da ilha em vez de o fazer como excursão de um dia a partir de Ponta Delgada.

A sul do Nordeste, a estrada continua em direção a Povoação e, por fim, às Furnas, passando por localidades mais pequenas e pelo desvio para Faial da Terra, a vila que serve de ponto de partida para a cascata do Salto do Prego e para o povoado restaurado de Sanguinho.

Esse trecho inteiro — vila, trilho e cascata — tem a sua própria página dedicada, já que constitui na verdade uma saída separada do circuito de miradouros do Nordeste: veja o guia de Faial da Terra e o trilho do Salto do Prego para mais detalhes. Se estiver a construir um itinerário mais longo pelo lado leste, Povoação fica entre o Nordeste e as Furnas e é uma ligação natural entre os dois.

Como chegar, e porque enche o depósito antes de partir

Chega-se ao Nordeste apenas por estrada — não há outra forma prática de o alcançar, e um carro alugado é de longe a forma mais fácil de o conhecer, já que os horários dos autocarros deste lado da ilha seguem calendários locais, não turísticos (veja o guia de autocarros se estiver a planear em torno deles de qualquer forma). De Ponta Delgada, a rota mais rápida segue a EN1-1A para leste, pela Ribeira Grande e Povoação, antes de a estrada estreitar no troço costeiro do Nordeste; a partir das Furnas, é uma ligação mais curta e direta pela cumeada.

Um ponto prático importa mais aqui do que em quase qualquer outro lugar da ilha: as bombas de combustível são genuinamente raras depois das principais localidades. Não há um local fiável para abastecer ao longo da própria estrada costeira, entre os miradouros, o farol e a Ribeira dos Caldeirões. Encha o depósito na Ribeira Grande, em Povoação ou antes de sair de Ponta Delgada — ficar com pouco combustível a meio do circuito do Nordeste, em estradas estreitas e com sinal de telemóvel irregular, é um problema evitável.

Se não está habituado a conduzir nas estradas e portelas estreitas da ilha, vale a pena ler o guia de condução antes de partir, e também vale a pena verificar as condições dos trilhos com antecedência se estiver a combinar a viagem com uma caminhada — vários caminhos costeiros deste lado da ilha fecham após deslizamentos de terras (mais sobre isso na nota sobre sinalização e encerramentos dos trilhos PR).

Quando ir

O Nordeste pode ser visitado em qualquer época do ano, mas a experiência muda com a estação mais do que na maior parte da ilha, simplesmente por ser mais exposto. Entre abril e outubro, os dias são mais longos, as nuvens tendem a ficar mais altas, e os miradouros têm mais probabilidade de oferecer uma vista limpa da costa — esta é também a altura em que a viagem funciona bem como saída fotográfica, com sebes de hortênsias ao longo da estrada a partir de junho.

Entre novembro e março, a estrada costeira continua aberta e o parque de cascatas e o farol funcionam exatamente da mesma forma, mas o vento e a chuva são mais frequentes, e as nuvens baixas podem cobrir os miradouros mais altos e a cumeada da Tronqueira durante dias seguidos. Nada disso fecha o Nordeste — significa apenas verificar a previsão especificamente para o leste da ilha, já que o tempo aqui pode diferir bastante do de Ponta Delgada ou das Furnas no mesmo dia.

Excursões e formas de conhecer o Nordeste

A maioria dos visitantes conhece o Nordeste por conta própria, ligando os miradouros, o farol e a Ribeira dos Caldeirões num circuito a partir de Ponta Delgada, das Furnas ou de Povoação — o guia da excursão costeira de um dia ao Nordeste traça uma ordem sensata exatamente para isso. Se preferir não navegar sozinho pelas estradas estreitas, ou quiser um guia capaz de apontar o que é fácil de perder, uma excursão guiada de minibus pelos miradouros e cascatas do Nordeste, com almoço incluído cobre o mesmo terreno sem a condução.

Para uma abordagem mais ativa à região, uma excursão privada de jipe 4x4 pelos caminhos rurais do Nordeste chega a miradouros e trilhos que um carro alugado normal não arriscaria, e uma rota semelhante de jipe combinando as vistas costeiras do Nordeste com a margem da Serra da Tronqueira junta as duas paisagens num único dia.

Se a Ribeira dos Caldeirões despertou curiosidade pela própria água, e não apenas pela vista dela, uma descida de canyoning pelas quedas da Ribeira dos Caldeirões é uma forma guiada e equipada de descer a mesma ribeira que os caminhos do parque apenas observam de cima — vale a pena conhecer mesmo sendo um tipo de dia diferente do circuito de condução acima.

Os detalhes completos sobre o percurso costeiro a pé entre as cascatas e os moinhos estão no guia do trilho da Ribeira dos Caldeirões, e os fotógrafos a planear especificamente em torno dos dois miradouros devem consultar o guia da Ponta do Sossego e da Ponta da Madrugada.

Os caminhantes com um dia inteiro e boas botas têm ainda duas opções que vale a pena destacar em separado, já que ambas vão muito além da estrada costeira: o trilho até ao Pico da Vara, no interior montanhoso da ilha, e a rede de caminhos abordada no guia geral de caminhadas do Nordeste para quem estiver a construir um dia centrado em caminhadas nesta parte da ilha.

Nas redondezas, se tiver mais tempo

O Nordeste fica no extremo do circuito principal da ilha, o que o torna um par natural com os locais de cada lado. A sul, Povoação e as Furnas prolongam o mesmo dia do lado leste até à zona das crateras; a oeste, pela mesma estrada, o caminho de regresso à Ribeira Grande atravessa algumas das terras agrícolas mais verdes da ilha.

Se a floresta e a montanha do Nordeste o atraírem, a página da Serra da Tronqueira e o seu trilho do priolo são a paragem seguinte; se foi a cascata que ficou na memória, o Salto do Prego, em Faial da Terra, fica um pouco mais a sul e vale meio dia à parte. Nenhuma destas paragens precisa de ser encaixada na mesma tarde do circuito costeiro — o Nordeste sustenta-se perfeitamente bem como destino próprio.

Perguntas sobre visitar o Nordeste

A que distância fica o Nordeste de Ponta Delgada, e quanto tempo demora a viagem?

São cerca de 45-50 km, aproximadamente uma hora de carro pela EN1-1A antes de chegar à própria estrada costeira. Acrescente tempo extra para paragens: os miradouros, o desvio para o farol e o parque de cascatas pedem cada um pelo menos 20-30 minutos.

É possível ver o priolo, o dom-fafe-dos-açores, no Nordeste?

Não, nem a partir da estrada nem de um miradouro. O priolo vive apenas na floresta de louro da Serra da Tronqueira, acima do Nordeste, e só é avistado a pé, dentro dessa floresta, normalmente com um guia. Passar pelo Nordeste não é o mesmo que visitar o habitat da ave.

Vale a pena visitar a Ponta do Sossego e a Ponta da Madrugada no mesmo dia?

Sim, e a maioria dos visitantes visita ambas, já que ficam no mesmo troço curto da estrada costeira, a poucos quilómetros de distância. Cada uma tem um ângulo diferente sobre as falésias e um ambiente diferente consoante a luz, por isso ver as duas exige pouco tempo extra.

Há combustível disponível perto do Nordeste?

As bombas são escassas depois de deixar as principais localidades. Encha o depósito em Ponta Delgada, Ribeira Grande ou Povoação antes de começar o circuito, em vez de contar encontrar uma ao longo da estrada costeira ou perto dos miradouros.

É possível subir ao Pico da Vara?

Sim, por um trilho sinalizado, mas é uma verdadeira caminhada dentro da reserva da Serra da Tronqueira, não uma paragem de estrada, e o cume está frequentemente coberto de nuvens. É o ponto mais alto da ilha, a 1103 m, e exige um planeamento à parte de um dia de condução pelo Nordeste.

A Ribeira dos Caldeirões é uma cascata ou várias?

É um pequeno parque com mais de uma queda de água e um percurso a pé entre antigos moinhos, não uma única paragem fotográfica. A maioria dos visitantes passa 30 a 60 minutos a percorrer o parque, em vez de se limitar a vê-lo a partir de um parque de estacionamento.

A estrada costeira do Nordeste é difícil de conduzir?

É estreita, sinuosa e muitas vezes tranquila, o que a torna agradável em vez de stressante, mas não é uma estrada rápida. O nevoeiro e as nuvens baixas são comuns nos troços mais altos, e algumas estradas e trilhos secundários fecham após deslizamentos de terras, por isso convém verificar as condições se combinar a viagem com uma caminhada.

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