Caldeira e Fumarolas das Furnas: Um Vulcão Vivo Explicado
Vulcões e Crateras

Caldeira e Fumarolas das Furnas: Um Vulcão Vivo Explicado

Resposta rápida

O que são as fumarolas das Furnas e porque o solo é tão quente?

As Furnas ficam dentro de uma caldeira vulcânica ativa, por isso a água da chuva que se infiltra encontra rocha aquecida por magma pouco profundo e regressa à superfície sob a forma de fumarolas, nascentes a ferver e lama borbulhante. O calor é real e pode queimar, e é por isso que existem os trilhos marcados e as áreas vedadas de observação em torno da vila e da Lagoa das Furnas, que nunca devem ser abandonados.

Porque o Solo Fumega nas Furnas

As Furnas não são uma metáfora de vila vulcânica — ficam dentro de um dos três sistemas vulcânicos centrais ativos de São Miguel, e a caldeira que ocupam continua a fazer o que as caldeiras fazem. A chuva que cai nas encostas circundantes infiltra-se através de rocha fraturada, encontra calor perto de uma câmara magmática pouco profunda, e regressa à superfície como vapor, água a ferver e gás. Esse ciclo é visível a céu aberto, no meio da vila, de uma forma que não acontece em mais nenhum lugar da ilha.

Esta página é sobre esse fenómeno: o que são as fumarolas, onde vê-las, como se comporta a caldeira, e como caminhar perto dela sem se magoar. Não percorre passo a passo um dia completo com o almoço de cozido e o jardim do Terra Nostra — esse itinerário tem a sua própria página, Dia nas Furnas: cozido e parque termal. Aqui o foco mantém-se na própria geologia.

Ler uma Caldeira: Onde Está Realmente a Pisar

Uma caldeira não é uma cratera deixada por uma única explosão. Forma-se quando a câmara magmática de um vulcão se esvazia parcialmente durante uma erupção e o terreno acima colapsa para o espaço deixado livre, criando uma depressão ampla em vez de um pico. A caldeira das Furnas tem vários quilómetros de diâmetro, e a vila, a Lagoa das Furnas, as colinas circundantes e o campo geotérmico ficam todos dentro dessa bacia colapsada.

O vulcão já entrou em erupção dentro da história registada — mais recentemente em 1630, um evento explosivo que remodelou parte do fundo da caldeira. Desde então, a atividade manteve-se geotérmica em vez de eruptiva: sem lava, sem cinza, mas uma libertação de calor constante e visível através de fumarolas, nascentes termais e emanações de gás. Essa é a diferença que vale a pena reter para o resto desta página — as Furnas hoje estão tranquilas no sentido que importa para a segurança, mas não estão adormecidas no sentido que importa para as compreender.

Para o panorama vulcânico mais amplo da ilha — como as Furnas se relacionam com Sete Cidades, a Lagoa do Fogo e as zonas de fissura que construíram o resto de São Miguel — a página geral história vulcânica de São Miguel explica todo o sistema. Uma questão relacionada que vale a pena tratar à parte: como é que uma caldeira como esta difere do tubo de lava da Gruta do Carvão, que é um tipo de formação vulcânica muito diferente. Essa comparação é abordada em caldeiras versus tubos de lava explicados.

Onde o Solo Fumega: As Fumarolas da Vila

O campo geotérmico mais acessível das Furnas fica no extremo norte da vila, a uma curta caminhada do centro e bem sinalizado. Aqui, respiradouros agrupados lançam vapor continuamente, poças de lama borbulham em pulsos lentos e espessos, e o cheiro a enxofre é inconfundível bem antes de chegar à área vedada de observação. Trilhos e passadiços contornam e atravessam os respiradouros, suficientemente perto para sentir o calor na pele e ouvir a água a mover-se debaixo do solo, mas mantidos afastados do terreno que é realmente perigoso.

Este é o campo que a maioria dos visitantes imagina quando pensa nas Furnas, e recompensa uma caminhada lenta em vez de uma paragem rápida para fotografia — os respiradouros variam em temperatura, cor e comportamento de um metro para o outro, e o próprio solo muda de terra comum para rocha nua e manchada de minerais no espaço de poucos passos. Um guia de caminhada dedicado a este campo e ao da margem do lago, fumarolas e caldeiras a pé, cobre ambas as áreas com mais detalhe de percurso do que cabe aqui.

Lagoa das Furnas: Água a Ferver na Margem do Lago

Um segundo campo geotérmico, mais tranquilo, estende-se ao longo da margem sul da Lagoa das Furnas, a uma curta viagem de carro ou uma caminhada mais longa a partir do centro da vila. É aqui que o calor da caldeira encontra o lago diretamente: fumarolas erguem-se a poucos metros da linha de água, e várias poças junto à estrada atingem temperaturas próximas da ebulição. É também aqui que as panelas de cozido da vila são enterradas todas as manhãs — não como uma atração à parte criada para os visitantes, mas porque esta faixa específica de margem tem, de forma fiável, calor aproveitável perto da superfície, e assim é há gerações.

As panelas cozinham entre cinco a sete horas apenas com esse calor, sem qualquer fogo aceso por perto, e são retiradas por volta do meio-dia pelo pessoal do restaurante que as enterrou. O mecanismo vale a pena ser compreendido por si só, e está explicado com mais profundidade em como o cozido das Furnas cozinha na realidade — o propósito desta página é o campo geotérmico que o torna possível, não a refeição que dele resulta.

Longe das covas de cozinha, as fumarolas à beira do lago podem ser vistas a partir de um trilho curto e de um parque de estacionamento, e esta costuma ser a mais tranquila das duas paragens geotérmicas das Furnas, já que a maioria dos itinerários de um dia passa mais tempo no campo da vila e nos jardins do Terra Nostra. As poças aqui não são para banhos — esta é uma água termal diferente das piscinas onde se pode nadar na Poça da Dona Beija, que assentam numa nascente separada e mais fresca, noutro ponto da caldeira.

Porque os Trilhos Marcados Não São uma Sugestão

O único facto que vale a pena reter das Furnas é que o solo pode ser genuinamente perigoso a uma distância muito curta de onde parece completamente normal. As poças à superfície nos campos de fumarolas situam-se regularmente perto do ponto de ebulição, e a crosta entre um respiradouro visível e o terreno sobreaquecido e oculto por baixo pode ser suficientemente fina para ceder ao peso de um pé. Não há nenhum sinal visual fiável o suficiente para avaliar isto a olho — terra de aspeto sólido a um metro de um trilho marcado pode não ser mais segura do que o próprio respiradouro.

É por isso que todas as áreas geotérmicas das Furnas estão vedadas, com passadiços ou de alguma forma marcadas, e por isso que passar uma barreira para ver mais de perto, tirar uma fotografia melhor ou fazer um atalho nunca compensa. Isto aplica-se ao campo da vila, aos respiradouros junto ao lago e a qualquer outro ponto onde se veja vapor ao longo do fundo da caldeira — os trilhos existem porque há pessoas que já sofreram queimaduras graves por os ignorarem, e não como uma formalidade excessivamente cautelosa.

Uma visão mais ampla de como este risco se compara aos outros perigos genuínos da ilha — condições do mar, arribas, nevoeiro — está em São Miguel é seguro: fauna e perigos; o solo geotérmico é o que mais apanha os visitantes desprevenidos, precisamente por parecer tão inofensivo.

O clima acrescenta uma segunda camada a ter em conta no planeamento. As Furnas ficam numa cota baixa dentro da sua caldeira e as nuvens instalam-se ali com mais frequência do que na costa, pelo que os campos de fumarolas podem ficar húmidos e com pouca visibilidade mesmo num dia claro em Ponta Delgada. Nada disso altera a temperatura do solo, só o quanto se consegue ver — razão suficiente para se manter nos trilhos mesmo quando só o vapor é visível à frente.

Como as Furnas se Comparam a Outro Terreno Vulcânico de São Miguel

um tour guiado de dia inteiro que percorre os campos de fumarolas com um guia local antes de um almoço de cozido

é a forma mais completa de ver a geologia explicada no terreno, em vez de a ler depois. Para uma visita mais curta, focada especificamente na caldeira e nos respiradouros e não num dia inteiro, um tour de meio-dia às Furnas cobre as fumarolas da vila e o campo junto ao lago sem o compromisso de tempo mais longo.

As Furnas são uma paragem num mapa vulcânico mais amplo. A Lagoa do Fogo, o lago de cratera no centro da ilha, é um tipo diferente de caldeira ativa — uma sem campo geotérmico à superfície, sem infraestruturas e com nebulosidade frequente, descrita em detalhe no guia do lago de cratera da Lagoa do Fogo. Sete Cidades, a oeste, é uma terceira caldeira com as suas próprias lagoas gémeas e nenhum do calor visível das Furnas. Ver mais do que uma numa única visita dá uma noção muito mais clara de como o “terreno vulcânico” varia numa ilha com pouco mais de 65 quilómetros de comprimento.

Para visitantes que queiram combinar a geologia com a paisagem termal mais ampla da caldeira — poças, jardins e nascentes em conjunto, e não só os respiradouros — um tour de dia inteiro às nascentes termais e paisagens vulcânicas das Furnas cobre ambos numa só saída, e um tour privado que combina uma caminhada junto ao lago com o parque Terra Nostra serve bem quem prefere um grupo mais pequeno e um ritmo mais calmo pelo mesmo terreno.

As Furnas na História Vulcânica Mais Ampla de São Miguel

As Furnas são um dos três vulcões centrais que, juntamente com uma longa zona de fissura que atravessa o meio da ilha, construíram São Miguel ao longo das últimas centenas de milhares de anos. Sete Cidades e a Lagoa do Fogo são os outros dois, e todos os três continuam classificados como ativos — o que significa monitorizados, não iminentes. Os Açores situam-se na fronteira de três placas tectónicas, e uma atividade geotérmica exatamente deste tipo — vapor, nascentes termais, solo quente — surge em várias das nove ilhas, embora as Furnas sejam o exemplo mais claro e mais fácil de percorrer a pé em todo o arquipélago.

Esse contexto importa para a forma como se lê o que se está a ver junto aos respiradouros. O vapor que sobe do solo nas Furnas não é um resquício de uma erupção de séculos atrás; é um processo contínuo, impulsionado pela água da chuva que se infiltra até à rocha quente e regressa à superfície, que decorre desde que a caldeira existe e continuará a decorrer muito depois de qualquer visita terminar. Nada disto precisa de uma erupção para se explicar, e nada disto deve ser confundido com o vulcão estar adormecido.

Planear uma Visita às Fumarolas das Furnas

Ambos os campos geotérmicos — os respiradouros da vila e as poças junto ao lago — são gratuitos e estão abertos durante todo o ano, sem bilheteira e sem horário fixo, embora o início da manhã e o final da tarde costumem ser mais tranquilos do que o meio do dia. Um calçado bom e fechado importa mais aqui do que em quase qualquer outro ponto da ilha; o terreno em torno dos respiradouros é irregular, por vezes húmido de condensação, e não é lugar para sandálias. Vale a pena levar um casaco mesmo no verão, já que a caldeira fica numa cota mais alta e mais húmida do que a costa e as nuvens podem instalar-se com pouco aviso.

As Furnas combinam naturalmente com uma noite ou duas alojado na vila ou perto dela, dado quanto fica ao alcance a pé — as fumarolas, o Terra Nostra e o próprio lago. Para visitantes alojados noutro ponto da ilha, também funciona bem como um único dia inteiro a partir de Ponta Delgada ou da costa sul, cerca de quarenta minutos a uma hora de carro consoante o trajeto escolhido. Um plano estruturado para um único dia que cobre a caldeira sem tentar acrescentar todas as outras paragens da ilha está em itinerário de um dia nas Furnas.

Duas leituras curtas a ter em mente antes de partir: porque é que o solo das Furnas cozinha um cozido sem fogo e, para contraste noutro ponto da ilha, porque é que a Lagoa do Fogo não tem infraestrutura alguma — ambas são lembretes de que o terreno vulcânico de São Miguel recompensa o respeito e não as suposições, onde quer que se encontre com ele.

Caldeira e Fumarolas das Furnas: Perguntas Frequentes

As Furnas são um vulcão ativo?

Sim. As Furnas são um dos três vulcões centrais ativos de São Miguel, e a sua caldeira já entrou em erupção dentro da história registada, mais recentemente em 1630. A atividade atual é geotérmica e não eruptiva: vapor, nascentes termais e gases, e não lava.

É seguro caminhar perto das fumarolas?

É seguro nos trilhos e passadiços marcados, que mantêm os visitantes afastados dos respiradouros onde o solo pode ultrapassar o ponto de ebulição mesmo por baixo da crosta. Não é seguro passar uma vedação ou uma barreira para ver mais de perto ou tirar uma fotografia, por mais sólido que o solo pareça.

A água da Lagoa das Furnas ferve mesmo?

Em vários pontos ao longo da margem sul do lago, sim. Fumarolas e poças borbulhantes ficam mesmo junto à linha de água, e algumas das poças da margem chegam perto do ponto de ebulição. É este mesmo calor que cozinha as panelas de cozido da vila, enterradas ali perto.

Dá para sentir o cheiro das fumarolas a partir da vila?

Sim, o enxofre é percetível em grande parte do centro das Furnas, mais forte perto dos grupos de respiradouros no extremo norte da vila e junto à margem do lago. O cheiro esbate-se à medida que nos afastamos dos campos geotérmicos, que ficam a uma curta distância a pé do centro.

Até que temperatura chega o solo nas Furnas?

As poças à superfície situam-se regularmente entre os 90 e quase os 100 graus Celsius, e o próprio solo pode estar muito mais quente a pouca profundidade. Não há forma de avaliar isto a olho nu, o que é a principal razão para se manter nos trilhos.

As Furnas são o mesmo que a refeição do cozido?

Não. As Furnas são a caldeira e a vila; o cozido das Furnas é um prato específico cozinhado com o seu calor geotérmico. O prato depende do solo daqui, mas a geologia e a refeição são duas coisas distintas a planear.

É preciso um guia para ver as fumarolas?

Não é necessário nenhum guia para percorrer as áreas geotérmicas públicas, que estão abertas e sinalizadas. Um guia acrescenta contexto sobre a história vulcânica e pode combinar as fumarolas com a caldeira mais ampla e o Terra Nostra num único meio-dia ou dia completo.

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