Furnas Fica no Interior: A Sua Praia É Ribeira Quente
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Furnas Fica no Interior: A Sua Praia É Ribeira Quente

A manhã em que fui à procura do mar em Furnas

Tinha reservado um quarto perto de Furnas para duas noites, e na primeira noite, ainda cheio do vapor de Terra Nostra e a pensar no cozido que ia comer no dia seguinte, perguntei à recepcionista para que lado devia caminhar até à praia. Ela olhou para mim um segundo a mais do que a pergunta merecia e depois disse, com simpatia, que não havia praia — não em Furnas propriamente dita. Teria de ir de carro. Foi desse momento que nasceu este texto.

É um erro fácil de cometer, e não me parece nada tolo. São Miguel é uma ilha, os guias estão cheios de enseadas de areia negra, e Furnas é fotografada constantemente — terreno a fumegar, um lago verde, jardins, piscinas termais. Nada nessas imagens grita “sem saída para o mar”, mesmo sendo exatamente isso que é.

Furnas é uma caldeira, não uma vila costeira

Furnas fica dentro de uma caldeira vulcânica ativa, na metade oriental da ilha, cercada por uma parede de colinas. É essa a razão de existir enquanto destino: a mesma atividade vulcânica que lhe dá fumarolas, nascentes minerais e um lago onde o cozido cozinha lentamente debaixo da terra durante horas também a isola da costa. Pode ficar-se à beira da Lagoa das Furnas e ver as paredes da cratera a erguerem-se de todos os lados. Não há nenhuma abertura por onde o oceano entre.

O parque termal de Terra Nostra reforça um pouco esta ilusão, porque uma grande piscina cor de laranja-ferrugem cheia de turistas parece um resort, e resorts parecem sempre costeiros por defeito. Não é o caso. Essa piscina é alimentada por nascentes minerais que brotam do mesmo fundo de caldeira, e vai deixar no seu fato de banho uma tonalidade ferruginosa que nenhuma lavagem consegue remover por completo — bom saber antes de levar o seu preferido.

Então onde é que fica a praia?

Do outro lado da serra, na costa sul, numa vila chamada Ribeira Quente. O nome significa isso mesmo — outra pista de que o sistema vulcânico chega até ao ponto onde encontra o mar. É a praia de Furnas em todos os sentidos práticos — é a costa mais próxima, e os residentes que vivem na caldeira vão até lá tal como quem vive numa terra sem litoral vai até à orla costeira. Mas é um lugar genuinamente separado: a sua própria fiada de casas, o seu pequeno porto, a sua praia de areia negra virada para o mar aberto do Atlântico, e não para um lago de cratera.

O trajeto entre as duas é curto em distância, mas não em sensação. Sobe-se a sair de Furnas, atravessa-se a orla da caldeira, e desce-se do outro lado em direção à água — o tipo de estrada em que a paisagem muda por completo em dez minutos. É um dos meus trajetos curtos preferidos na ilha, precisamente por esse contraste: terreno a fumegar e sebes de hortênsias dão lugar ao mar aberto em poucos quilómetros.

De Furnas até…Distância (por estrada)O que vai lá encontrar
Praia de Ribeira Quentecerca de 10 km, 15-20 minpraia de areia negra, banhos no Atlântico aberto
Povoaçãocerca de 8 kmpequena vila, vale fluvial, vistas sobre a costa
Faial da Terracerca de 20 kmponto de partida para a cascata do Salto do Prego
Vila Franca do Campocerca de 20 km pela estrada da costapasseios de barco ao ilhéu, vila com porto

Porque é que isto importa para o planeamento do dia

Se leu que Furnas é uma visita obrigatória e marcou “tarde de praia” logo a seguir ao almoço, vai perder tempo a perceber que a água não fica a uma caminhada de distância. Prefiro que saiba isto antes de chegar do que a descobri-lo, como eu, à recepção de um hotel.

A solução é simples: tratar Furnas e Ribeira Quente como duas paragens do mesmo circuito, não como um único destino com dois nomes. Um dia típico que recomendo — e que já fiz mais do que uma vez — começa com a caldeira de manhã: as fumarolas, os percursos térmicos a pé, talvez um mergulho em Terra Nostra ou na Poça da Dona Beija antes de chegarem os grupos de autocarro.

O cozido encomenda-se com antecedência e vai buscar-se por volta do meio-dia, porque as panelas vão para debaixo da terra a cozinhar com calor vulcânico e sem qualquer fogo, e esse é um processo que não se pode apressar. Depois, com o almoço feito, segue-se pela estrada até ao outro lado da serra até Ribeira Quente para um banho, um passeio junto ao mar, ou simplesmente para ver o Atlântico a fazer algo que o lago de cratera nunca fará: mexer-se.

Para quem prefere caminhar em vez de conduzir, a própria serra é percorrível a pé — o trilho que desce por Faial da Terra até à cascata do Salto do Prego cobre um terreno semelhante a pé, terminando perto da costa e não propriamente em Ribeira Quente, mas dá a mesma lição de geografia ao ritmo de uma caminhada, o que explica a paisagem melhor do que qualquer mapa.

Para uma versão guiada deste dia dividido, tanto o Furnas: Full Day Tour como um itinerário do género Furnas: Volcano Wonders Tea Plantation Waterfall Tour cobrem bem a caldeira sem prometer uma praia que não existe, e uma versão de meio dia mais curta resulta bem se estiver alojado em Ponta Delgada e só tiver a manhã disponível.

Se preferir juntar chá e almoço a tudo isto, há também uma combinação de plantação de chá e cascata que liga a caldeira, uma plantação de chá em funcionamento, e uma paragem numa cascata, num único dia.

Uma vila, uma caldeira, duas águas muito diferentes

Nada disto é uma crítica a Furnas — bem pelo contrário. Acho que a caldeira é ainda mais interessante precisamente por não tentar ser uma vila de praia. É um recanto cultivado, a fumegar, ligeiramente surreal da ilha, a fazer algo que uma linha de costa nunca poderia: cozinhar o seu almoço debaixo da terra enquanto se nada em água alaranjada, rica em ferro, a meio quilómetro de distância. Ribeira Quente faz a coisa simples e maravilhosa que uma praia faz, e fá-lo ainda melhor por ser tranquila e sobretudo local.

O erro não é querer as duas coisas. É esperar que sejam a mesma paragem. Planeie o trajeto, e fica com uma combinação genuinamente boa — estranheza térmica no interior de manhã, Atlântico aberto à tarde — em vez de uma hora frustrante à procura de areia que nunca ali esteve.

Furnas e Ribeira Quente, as perguntas que as pessoas fazem

Furnas tem praia?

Não. Furnas fica inteiramente no interior, dentro de uma caldeira vulcânica. Não há litoral dentro da vila nem nos arredores imediatos — a praia mais próxima fica do outro lado da serra, em Ribeira Quente.

A que distância fica Ribeira Quente de Furnas?

Cerca de 10 km por estrada, o que corresponde a uma viagem de carro de 15-20 minutos pela orla da caldeira. É um dos trajetos mais curtos da ilha, mas também um dos mais marcantes, passando de um lago de cratera com fumarolas para o mar aberto.

Consigo ir a pé de Furnas até ao mar?

Não diretamente até Ribeira Quente numa caminhada curta, mas o trilho que desce por Faial da Terra até à cascata do Salto do Prego segue um terreno semelhante em direção à costa, para quem preferir caminhar em vez de conduzir.

Vale a pena visitar Ribeira Quente por si só?

Sim. É uma pequena e tranquila vila piscatória com uma praia de areia negra e um ambiente genuinamente local, sem as multidões que se juntam junto aos locais termais de Furnas em época alta. É também uma boa paragem entre Furnas e Povoação.

Consigo fazer Furnas e Ribeira Quente num só dia?

Com facilidade. Um plano comum é visitar a caldeira e fazer um banho termal de manhã, comer o cozido ao meio-dia, e seguir a curta viagem até Ribeira Quente à tarde — veja o nosso guia do passeio de um dia a Furnas para um roteiro completo.

Porque é que Furnas fica no interior se São Miguel é uma ilha?

Porque se situa dentro de uma caldeira ativa cuja orla se encontra bem acima do nível do mar e afastada da costa. A mesma atividade vulcânica que produz as suas nascentes termais e fumarolas foi o que criou esta bacia fechada, em primeiro lugar.

A areia de Ribeira Quente é negra?

Sim, como a maioria das praias de São Miguel — é areia vulcânica, mais escura e mais grossa do que a areia clara encontrada noutros pontos do mundo. A água é do Atlântico aberto, por isso as condições dependem da ondulação e não de uma baía abrigada.

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